Análise estrutural
Em três ciclos consecutivos, a diferença entre candidatos de esquerda e direita projetada pelas pesquisas foi maior do que a registrada nas urnas. O padrão central: candidatos de direita são sistematicamente subestimados pelas pesquisas — o que inflaciona artificialmente a vantagem projetada do campo oposto.
Excesso diferencial médio
+6.7 pp
a 30 dias da eleição — média de 3 ciclos
Excesso diferencial médio
+6.3 pp
a 60 dias da eleição — média de 3 ciclos
Excesso diferencial médio
+6.3 pp
a 90 dias da eleição — média de 3 ciclos
Eleição 2014
Dilma Rousseff
−2.1 pp
a menos nas pesquisas
39.5%
Pesquisas
41.59%
Urnas reais
Aécio Neves
−12.1 pp
a menos nas pesquisas
21.5%
Pesquisas
Interpretação
O viés não é, em geral, que a esquerda seja superestimada em termos absolutos. O candidato de esquerda tende a ter um erro pequeno — as pesquisas acertam razoavelmente seus números.
O problema central é que o candidato de direita é sistematicamente subestimado — e com magnitude muito maior. Isso cria a ilusão de uma vantagem maior da esquerda do que existe de fato.
O fenômeno é consistente com o shy voter effect: eleitores de candidatos associados a estigma social tendem a subdeclarar sua intenção de voto em entrevistas.
Intencionalidade: subdeclaração espontânea dos entrevistados e falha de amostragem (quem atende pesquisas não é representativo de quem vota) produzem o mesmo resultado — sem necessidade de viés intencional dos institutos.
Uniformidade: o padrão varia por instituto. Alguns acertam mais do que outros. Veja a análise por casa de pesquisa em House Effects.
Amostra pequena: três ciclos eleitorais com dois candidatos principais cada. O padrão é sugestivo e consistente — mas não é base estatística suficiente para conclusões definitivas.
33.55%
Urnas reais
← maior erro do ciclo
Conclusão do ciclo
+18.0 pp
diferença nas pesquisas
+8.0 pp
diferença real nas urnas
As pesquisas exageraram a vantagem esq. em 10.0 pontos percentuais — a diferença real foi muito menor do que as pesquisas mostravam.
Eleição 2018
Haddad
−7.2 pp
a menos nas pesquisas
22.1%
Pesquisas
29.28%
Urnas reais
Bolsonaro
−11.4 pp
a menos nas pesquisas
34.58%
Pesquisas
46.03%
Urnas reais
← maior erro do ciclo
Conclusão do ciclo
-12.5 pp
diferença nas pesquisas
-16.8 pp
diferença real nas urnas
As pesquisas exageraram a vantagem dir. em 4.3 pontos percentuais — a diferença real foi muito menor do que as pesquisas mostravam.
Eleição 2022
Lula
−1.5 pp
a menos nas pesquisas
46.97%
Pesquisas
48.43%
Urnas reais
Bolsonaro
−7.3 pp
a menos nas pesquisas
35.95%
Pesquisas
43.2%
Urnas reais
← maior erro do ciclo
Conclusão do ciclo
+11.0 pp
diferença nas pesquisas
+5.2 pp
diferença real nas urnas
As pesquisas exageraram a vantagem esq. em 5.8 pontos percentuais — a diferença real foi muito menor do que as pesquisas mostravam.